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O incrível Fast Freddie - Capítulo 1

Na Competição

Seja no asfalto, na terra, na lama ou na areia, a competição e o universo radical estão no DNA da Honda.

O incrível Fast Freddie - Capítulo 1

Na Competição 08/07/2018

Na história da humanidade vez por outra surgem gênios que estabelecem novos limites a serem batidos. No motociclismo um deles foi Frederick Burdette Spencer, mais conhecido como Freddie Spencer, um jovem que com 18 anos de idade saiu de Shreveport, na Louisiana, para ganhar o mundo.

Naquele momento nas corridas em seu país, os EUA, não havia mais rivais à altura de seu talento. Freddie decidiu se testar em corridas na Europa, enfrentar gigantes como Barry Sheene e seu compatriota, o também norte-americano Kenny Roberts.

À época, em 1980, escolheu um torneio realizado na Inglaterra batizado de Transatlantic Trophy. Nele pilotos americanos e ingleses se desafiavam em pistas tradicionais. Sem conhecer o traçado e tampouco as motos de 500cc, Spencer ganhou duas destas corridas, deixando para trás gente como Roberts, Mamola e outros astros do momento.

A proeza carimbou seu passaporte para tomar parte do 1º Grande Prêmio de sua carreira na 500, a categoria máxima do Mundial de Motovelocidade. Uma aparição isolada, mas que confirmou que o adjetivo “Fast”, rápido em inglês, aplicado ao seu nome, não era sem fundamento.

Sim, “Fast Freddie” era rápido como nenhum outro de sua geração. A Honda enxergou isso e também foi rápida ao convocá-lo para a equipe oficial em 1981. O sonho de Spencer de se tornar piloto da mais poderosa marca de motos do planeta se realizara, mas o começo não foi nada fácil.

Sua primeira tarefa foi tentar fazer da extremamente tecnológica Honda NR500 de pistões ovais uma máquina competitiva, missão mais para pesadelo, e mesmo a genial pilotagem de Spencer deu conta de torná-la vencedora.

Veio 1982 e a Honda mudou a receita de sua 500 para o Mundial. Abandonou a complexidade técnica da NR (New Racing!) e abraçou a facilidade da NS (New Simply?). A moto “vestiu” como uma luva em Freddie: moderna, rápida e intuitiva, sob medida para o jovem gênio norte-americano.

Ao guidão da NS500 equipada com um motor 2T de três cilindros em V Freddie foi verdadeiramente “Fast”. Explorou a agilidade no lugar de potência bruta – e sacou da cartola o estilo de pilotagem das corridas de Dirt Track, onde se iniciou ao guidão com seis anos de idade. O segredo era deixar a traseira da moto em constante derrapagem controlada, uma tocada extrema, quase que impensável com as 500 da época, mas possível para ele e a genial Honda NS500.

Freddie freava mais tarde que os adversários. Quando sentia o pneu dianteiro perder a aderência, no limiar do tombo, entrava em cena a mágica: provocar a derrapagem da roda traseira e consertar a escorregada da dianteira. Fácil falar, lindo ver, difícil fazer...

A manobra cumpria à risca o manual da pilotagem esportiva – frear por último, acelerar primeiro....  e a tocada deu à “Fast Freddie” suas duas primeiras vitórias logo em sua primeira temporada completa no Mundial na qual terminou em 3º lugar. Estas conquistas com a NS500 também marcaram a volta da Honda ao 1º lugar do pódio depois do adeus às pistas dado no final de 1967.

Em 1983 veio o 1ª título mundial de Freddie batendo ninguém menos que o tricampeão Kenny Roberts. Foi o mais jovem a vencer a categoria máxima desde sempre, com meros 21 anos. Este também foi o primeiro título da Honda no mundial de pilotos da categoria máxima, visto que antes a marca só havia vencido o título de construtores.

Empolgada com a conquista, a Honda Racing Corrporation, o HRC, decidiu mudar mais uma vez a receita de sua moto na categoria principal. A leveza e agilidade da tricilíndrica NS500 daria lugar a um projeto revolucionário. Nascia a lendária NSR500 V4 “upside-down”, que pretendia somar à agilidade da NS o poderio de um inédito motor V4 2 tempos.

Mais uma vez a Honda buscava subverter a ordem técnica vigente, exibir seu poderio tecnológico. Para conseguir a pretendida agilidade situou o tanque de combustível sob do motor. O volumoso grupo de quatro escapes ficava virado para o alto, escondido pela carenagem, rente ao queixo e peito do piloto.

Dar a Freddie Spencer mais potência não era uma má ideia. O jovem então com 22 anos, além de rápido, se mostrara um excelente acertador de motos. Mas logo todos perceberiam – principalmente Freddie –  que a teoria, baixar o centro de gravidade, era uma boa... teoria, mas na prática a NSR500 V4 lembrava o pesadelo NR500.

Do céu ao inferno: assim pode ser definida a transição da conquista do Mundial em 1983 para a temporada de 1984, na qual Spencer, com a ajuda da Honda, (e apesar da difícil NSR500 V4) plantou as sementes da mais impressionante proeza no mundo da motovelocidade. Uma proeza que à distância de mais de três décadas ainda impressiona os apaixonados pelo motociclismo de competição. Uma proeza que merece ser contada em capítulo à parte...