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Como frear, capítulo 1: esportivas e estradeiras

Na prática

Dicas de pilotagem, segurança e muito mais. Para você melhorar o desempenho e a performance e ainda ter mais prazer a bordo da sua motocicleta.

Como frear, capítulo 1: esportivas e estradeiras

Na prática 30/11/2020

Usar corretamente os freios é algo que somente poucos motociclistas sabem fazer, mas, à parte os fundamentais fatores relacionados à segurança, desenvolver uma técnica de frenagem correta transformará a pilotagem, que em vez de tensa passará a ser cada vez mais prazerosa.

Motociclistas iniciantes em geral querem aprender a andar de moto e não como frear uma moto corretamente. A prioridade é usar bem o acelerador e embreagem, ter a habilidade de fazer curvas, usar o câmbio e até mesmo realizar wheeling e RLs. Frear? É só apertar o pedal e o manete! Mas, não é bem assim.

Para começar, cada tipo de moto – esportivas, estradeiras, custom, scooters e trails – tem suas peculiaridades para serem freadas corretamente, e neste 1º capítulo da série vamos tratar das esportivas e estradeiras. Isso mesmo: da pacata Honda CG 160 até a CB 1000R ou mesmo a furiosa Fireblade, a técnica de frenagem é bem semelhante.

1ª dica: se convencer que é o freio dianteiro é o QUE MANDA NA FRENAGEM. Certamente você já deve ter ouvido que “frear com o dianteiro é tombo, capotagem na certa” –, uma mentira/lenda em que muitos, por incrível que pareça, ainda acreditam. A prova de que é o freio dianteiro o mais importante é óbvia, basta olhar para uma CG 160 Titan. Qual é o freio mais forte? O dianteiro a disco, enquanto atrás está o tambor... E na CB 1000R? Dois discos grandes na dianteira e um menorzinho atrás. Tá na cara, não?

2ª dica: aprender a modular o freio dianteiro, usá-lo de modo progressivo. Freio não é interruptor de luz, “on-off”, está mais para um “dimmer”. Na fase inicial da frenagem, por mais urgente que seja a necessidade de parar, a pressão no manete deve ser gradual. Fácil falar, difícil fazer e por isso mesmo que é preciso treinar. Vá a um lugar seguro, estabeleça uma velocidade padrão (e baixa), e comece treinando a dosagem da força, habitue os dedos – e seu cérebro –  a apertar o manete variando gradualmente a força, sentindo até onde você pode chegar com segurança.

3ª dica: usar o freio traseiro não é proibido, mas, entenda que ele é um mero coadjuvante em uma frenagem “séria”, até por que o pé não tem a mesma sensibilidade que a mão. Na MotoGP os super pilotos praticamente não usam freio traseiro. Porém, na nossa tocada do dia a dia, usá-lo para “trabalhar” 20%, deixando os 80% da força frenante à cargo do dianteiro, é adequado.

4ª dica: uma boa frenagem depende de você saber “ler” o piso onde você está rodando. Em piso molhado, sujeira (óleo, areia, lama) ou irregularidade (ondulações e buracos), o treino na modulação fará a diferença. Atue com suavidade nos comandos, sempre tendo em mente que a potência de frenagem que efetivamente reduzirá a velocidade será sempre a do freio dianteiro, e que exagerar no pedal só vai resultar no pneu sendo arrastado, algo pouco efetivo para parar a moto.

5ª dica: antes das curvas, a frenagem deve ser sempre com a moto retinha, em pé, nada de inclinação. Manter o freio dianteiro aplicado na fase de entrada de curva exige uma técnica especial e serve especialmente para a pilotagem esportiva. Esse é um assunto em que vamos tratar aqui no blog, mas em outra ocasião.

Consideração final: as motos mais recentes, de pequena ou média cilindrada, vêm equipadas de sistemas combinados de frenagem, o CBS ou Combi Brake, no qual o pedal atua não apenas no freio traseiro, mas também no freio dianteiro, em um percentual de cerca 25% para a dianteira e 75% na traseira. O dispositivo visa corrigir “na marra”, o vício de se usar apenas o freio traseiro. Se sua moto tem CBS, parabéns! Mas as dicas acima continuam valendo. Já as motos grandes tem o sistema ABS, antitravamento, que apesar de facilitar a vida também exige que você treine a frenagem progressiva e priorize o dianteiro, aprendendo a cada dia  como frear moto

IMPORTANTEfrear certo e bem depende de treino, de seguir as dicas acima, mas, também está relacionada a fatores como: postura sobre a moto, manutenção correta (pneus, suspensão, pastilhas e lonas) e principalmente da compreensão de que antecipar, prevenir, é melhor do que remediar. Motos tem apenas dois pequenos pontos de contato com o solo quando em movimento, uma realidade que não se altera por melhor que seja sua moto e a técnica aplicada à frenagem.