As motos clássicas da Honda têm muita história para contar, com direito à curiosidades e momentos nostálgicos que te levarão em uma viagem no tempo. Afinal nossas motos antigas são únicas e dão vida aos novos modelos da Honda.
No finalzinho dos anos 1970 o mundo vivia uma gravíssima crise do petróleo. A revolução iraniana literalmente "bagunçou" o mercado dos combustíveis fósseis mundial, mas, diferentemente da maioria dos países, o Brasil tinha um "plano B": o Proálcool. Este era o nome de uma iniciativa de governo brasileiro que visava dar incentivos à produção de álcool etílico a partir da cana de açúcar para substituir a gasolina, o que fez surgir, em 1979, os primeiros automóveis com motores ajustados para o uso de etanol.
Neste contexto, os engenheiros da Honda toparam o desafio de fazer um motor de motocicleta funcionar – e bem! – com o etanol. E em janeiro de 1981 a primeira moto do planeta movida a álcool chegou as revendas: a Honda CG 125 Álcool.
A pintura preta com discretas faixas vermelhas e a palavra "Álcool" posicionada estrategicamente sob o logotipo Honda, nas laterais do tanque, a distinguia das CG 125 do mesmo ano, oferecidas nas cores prata, vermelho, azul claro e branco. Mais sisuda no visual, a CG 125 Álcool trazia algumas importantes modificações em relação à Honda CG a gasolina. Mais importante delas, o sistema de partida a frio. O dispositivo consistia em um reservatório situado sob o banco com capacidade de 0,4 litro de gasolina, que podia ser injetada diretamente no carburador da moto por intermédio de um botão posicionado logo abaixo do tanque, na lateral esquerda. Com isso, a natural dificuldade de partida em dias frios, típica do motor a álcool, era driblada. Importante lembrar que naquela época as Honda CG não tinham de partida elétrica, portanto a ação de ligar o motor dependia unicamente do pedal de partida, o que tornava ainda mais importante o bom funcionamento do sistema de partida a frio.
Outras diferenças importantes desta CG 125 Álcool em relação às demais estava na taxa de compressão mais elevada (10,0;1 contra 9,0:1) e no câmbio, de cinco marchas e não de quatro marchas como nas CG a gasolina, que só ganhariam a marcha a mais na versão 1983. Por conta das características diferentes do álcool em relação à gasolina, todas as superfícies metálicas em contato com o combustível vegetal – tanque, dutos, carburador e partes internas do motor – receberam tratamento contra oxidação/corrosão.
A CG 125 Álcool tinha preço idêntico ao da versão a gasolina, e um desempenho ligeiramente superior em termos de aceleração e velocidade máxima. O modelo teve a produção encerrada em 1983.