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Marc Márquez, a glória na MotoGP –Capítulo 3

Na Competição

Seja no asfalto, na terra, na lama ou na areia, a competição e o universo radical estão no DNA da Honda.

Marc Márquez, a glória na MotoGP –Capítulo 3

Na Competição 21/06/2018

MARC MÁRQUEZ, A GLÓRIA

PARTE 3

1º Pular da categoria Moto2 para a MotoGP.

2º Estrear na equipe mais poderosa, a Honda-Repsol.

3º Pilotar a Honda RC213-V.

Estes três movimentos bastariam para mexer com os nervos de qualquer piloto, ainda mais com os de um jovenzinho de 20 anos e um mês de idade, mas não se ele for Marc Márquez.

A estreia de Márquez na MotoGP aconteceu no Qatar, primeiraetapa de um ano no qual o pequeno espanhol se confirmaria como um fenômeno do guidão. Foi simplesmente memorável, uma noite das arábias na qual Marc foi o gênio da lâmpada, liderando sessões de treinos como se corresse na MotoGP há anos. Na corrida, em um par de voltas já estava na 3ª colocação e, pouco antes da bandeirada, brigava pela segunda colocação com Valentino Rossi.

No final, Márquez foi o 3º colocado, mas o mundo (e Rossi, e todos os outros pilotos) logo entendeu que pisar no pódio na corrida de estreia era apenas um aperitivo do que estaria por vir. E dito e feito: no GP das Américas, semanasdepois, pole e vitória. O mais jovem vencedor de um Grande Prêmio da história na classe principal, com 20 e 63 dias de idade.

Ao final daquele mágico 2013, o “rookie” tornou-se o mais jovem campeão mundial de todos os tempos. Nas 18 corridas da temporada, em apenas duas Marc não marcou pontos. Foi seis vezes vencedor, seis vezes 2º colocado e quatro vezes 3º. Marcou 11 poles e 11 voltas mais rápidas. Um monstro!

No ano seguinte, 2014, Márquez ganhou as dez primeiras corridas consecutivamente. No total do ano foram treze vitórias em 18 corridas, –um recorde para uma temporada –e ainda fez treze poles e doze voltas mais rápidas.

Este segundo título mundial foi conquistado com antecedência de três corridas. A “estrela” de Marc Márquez brilhava muito, o espanhol introduziu um novo modo de pilotagem cujo ingrediente principal era um arrojo nunca antes visto.

A escalada do jovem Marc foi interrompida em 2015, no que pode ser considerado seu “annus horribilis”. Márquez exagerou, colecionou tombos, algumas vitórias –cinco –, oito poles e sete voltas mais rápidas, mas no fim da temporada foi apenas 3º, atrás de Lorenzo e Rossi, com o qual se envolveu em intensas polêmicas.

Desde sua estreia no Mundial, na categoria 125, Márquez havia demonstrado não ser o tipo de piloto que vê corridas como uma oportunidade de fazer amigos, de trocar gentilezas com adversários. Porém, conforme foi ganhando experiência, esta agressividade ultrapassou os limites do razoável. Com Rossi, em 2015, uma guerra foi deflagrada tanto na pista como fora dela, e isso se refletiu nos resultados: Márquez terminou o ano muitocriticado e sem título mundial.

A pausa entre temporadas foi positiva, e um novo Marc surgiu em 2016, menos áspero, mais estratégico, mas sempre genial: conquistou cinco vitórias, fez sete poles e quatro voltas mais rápidas em um ano cheio de vencedores, nada menos do que oito diferentes. Os adversários principais foram novamente Rossi e Lorenzo, e mais uma vez a corrida do título foi no Japão, em Motegi, pista de propriedade da Honda. Tricampeão, e mais uma vez por antecipação, com três corridas de folga.

Aos 24 anos, Marc começou a temporada de 2017 enfrentando uma concorrência mais forte, e ao chegar ao GP da Alemanha, a exata metade da temporada, estava numa insólita (para ele) quarta posição do campeonato. Como que querendo soprar para longe esta má fase, Marc venceu e saiu da etapa líder do campeonato. Dali até o último GP, esta posição foi sempre fortemente ameaçada pelo italiano Andrea Dovizioso, que obrigou Márquez a brigar como nunca para faturar o tetracampeonato, que só foi decidido na etapa derradeira, em Valência.

Foi certamente o ano mais disputado desde sempre para Márquez, que além de sua natural velocidade, mostrou técnica, perseverança e força de vontade, queo fizeram reverter uma situação desfavorável.

Em 2018, a situação foi mais fácil: Marc Márquez foi ocampeão. Pela 5ª vez em seis temporadas, ele e sua incrível Honda RC213-V formaram uma dupla praticamente imbatível, vencedora em nada menos do que em novecorridas. E, mais uma vez, o “presente” maior, a vitoriosa corrida do título, foi o Grande Prêmio do Japão em Motegi, na casa da Honda.

O ano de 2019 foi outro ano de pleno domínio para Marc Márquez. Doze vitórias, dezoito vezes no pódio em 19 corridas. Quando não venceu, foi 2ª colocado, e só não pontuou por ter caído no GP das Americas quando era 1ª colocado...

Este absurdo domínio de Marc Márquez teve fim em 2020, não por ter surgido um piloto mais forte do que ele, mas pelo acidente na primeira corrida do ano da MotoGP, em Jerez de La Frontera, quando Marc caiu, fraturou o braço e amargou longosmais de 8 meses para se recuperar. De volta as pistas em 2021, Marc Márquez voltou a vencer exatos 11 meses após o acidente, mostrando que continua sendo ele mesmo, um grande campeão.

Com seis títulos na categoria principal, Marc Márquez superandoo número de conquistas de outro lendário piloto Honda, Mick Doohanque foi cinco vezes campeão mundial pela Honda. Agora, à frente de Marc Márquez,só italianos: Valentino Rossi com sete títulos, e Giacomo Agostini, com oito mundiais da categoria principal ganhos nos anos 60/70.

Obstinado e talentoso, o agora fisicamente recuperado Marc Márquez tem todo o tempo do mundo para se tornar o maior de todos os tempos, nos presenteando com seus incríveis espetáculos de pilotagem. É certo que ele estabeleceu um novo patamar na pilotagem das MotoGP, uma técnica apurada, cujo ingrediente maior é o arrojo.

orge Lorenzo? Reconhecido pela técnica refinada e trajetórias cirúrgicas. Valentino Rossi? Gênio na gestão das corridas. E Márquez? É o introdutor de uma técnica de pilotagem ímpar, na qual os limites da pista –e da física! –foramredimensionados. Marc Márquez é um fenômeno, e seus resultados falam por si: seis títulos na MotoGP, que se somam aos outros dois Mundiais alcançados na Moto2 e 125cc. Certamente muitos outros virão...