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As pistas da Honda - Parte 2 - Motegi

O poder dos sonhos

As tradições, histórias e curiosidades da marca que mais entende de moto.

As pistas da Honda - Parte 2 - Motegi

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As pistas da Honda
Parte 2

Em 1º de agosto de 1997 o Twin Ring Motegi começou a operar. Nada menos do que treze diferentes instalações, entre elas duas pistas destinadas a receber competições internacionais, compunham o gigantesco complexo criado pela Honda. Além de um inédito traçado oval de 2,4 km de extensão, pensado para a Formula Indy, uma pista clássica de 4,8 km, que em 1999 hospedou pela primeira vez o GP Japão do Mundial de Motovelocidade, configuravam o empreendimento como o mais completo “parque de diversões” do esporte a motor mundial.   

A área de 640 hectares (6,4 milhões de m2) surpreendeu em diversos aspectos, um deles pela escolha do local: uma região montanhosa duas horas ao leste de Tóquio com acessibilidade restrita e que mais parecia um santuário natural, com florestas, trilhas e nascentes de água mineral. Este contexto insólito confirmaria uma opção da Honda, já levada à cabo quando da construção da pista de moto de Suzuka: a de não usar áreas planas, ideais para a agricultura, em um país como o Japão tão carente de espaço.

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Outra opção, mais subliminar, foi a de integrar a natureza ao que aparentemente se oporia à ela, o esporte a motor. Sabiamente, as diversas pistas (além das citadas outras foram construídas para receber tanto esportes como flat track e motocross e circuitos para treinamento e aprendizado) foram salpicadas na verdejante área, entremeada de edifícios com restaurantes, cinemas, lojas, um hotel e talvez o mais relevante museu do planeta dedicado a veículos de série e competição, o Honda Collection Hall.     

Muitos se perguntaram o porquê da Honda, já tendo o Circuito de Suzuka, com pistas variadas, parque de diversões e demais atrações, precisaria ter construído o Twin Ring Motegi. Várias seriam as razões: o circuito oval para a F-Indy mostraria a importância do mercado norte-americano para a empresa assim como tornar tudo possível respeitando a natureza, em uma área montanhosa, cercada de florestas, ajudaria a não perturbar a paz de nenhum vilarejo e mostrar apreço ao meio ambiente. Mas a maior e melhor justificativa à razão de se construir o complexo de Motegi foi dada em uma reunião na sede da Honda em Tóquio, quase dez anos antes da inauguração, em março de 1988.   

Sob um clima tenso a diretoria da Honda discutia o projeto sob a ótica do investimento enorme que ele exigiria, e da óbvia impossibilidade de imaginar um retorno financeiro a curto ou médio prazo. Naquele momento crucial, alguém defendeu a iniciativa com uma frase que derrubou qualquer resistência ao projeto: “Como a Honda poderá continuar sendo a Honda se um sonho desta magnitude não for realizado?”   

O presidente à época, Tadashi Kume, posteriormente declarou que tal frase serviu como uma espécie de despertador para todos que estavam na sala, lembrando-os de um ideal do fundador Soichiro Honda: perseguir sonhos e repartir alegria!  

Uma década em construção, duas em operação, e trinta anos depois da histórica decisão de dar sinal verde ao Twin Ring Motegi ninguém mais duvida do quanto acertada foi a iniciativa. Suzuka nasceu em um momento em que a Honda precisava de uma pista de testes para motos, carros e incentivar o gosto pelo esporte a motor. Já Motegi surgiu sob outra demanda, ainda mais importante: a de realizar o sonho de conciliar a tecnologia Honda com a natureza. Transformar conhecimento em alegria, oferecer diversão e possibilitar que a genuína paixão que fez nascer a empresa possa ser transmitida para as gerações futuras. 

Estar em Motegi significa vivenciar aprendizados diversos. Passear na trilha no meio da floresta, entrar em uma casinha plenamente sustentável e conhecer as soluções da tecnologia Honda para a vida com baixo consumo de energia, aprender a pilotar com guidão ou volante nas mãos, vero o passado, o presente e o futuro em um só dia e um só lugar. No fundo, nada mais nada menos do que um sonho tornado realidade. Exatamente como a primeira motocicleta da marca, não a toa batizada de “Dream”...