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As pistas da Honda – parte 1 Suzuka

O poder dos sonhos

As tradições, histórias e curiosidades da marca que mais entende de moto.

As pistas da Honda – parte 1 Suzuka

O poder dos sonhos 05/08/2019

Em 1959, quando completou uma década de operação, a Honda já havia se tornado o maior fabricante mundial de motocicletas. Trabalho duro, prioridade à tecnologia associada a confiabilidade e uma ferrenha convicção que sempre é preciso pesquisar para evoluir levaram a esta invejável posição.

Soichiro Honda, o fundador da empresa, sabia bem quanto esforço foi necessário para alcançar tal resultado, e também quanto seria difícil manter a relevante posição. Por conta disso, tomou uma decisão que se revelaria fundamental para o futuro da Honda: construir uma pista de testes.

Tal iniciativa, grandiosa sob qualquer ponto de vista especialmente o financeiro, seria um passo importante em direção ao futuro da empresa, que então já se preparava para um salto para além do que ser “apenas” a nº 1 do mundo da indústria moto ciclística. A fabricação de automóveis já estava na alça de mira do incansável empreendedor, que sabia poder aplicar a tecnologia desenvolvida com sucesso para as máquinas de duas rodas também às de quatro rodas.

Tomada a decisão de construir a pista, o local escolhido foi Suzuka, 400 km distante da capital Tóquio, mas a apenas 150 km da principal planta da Honda então, a fábrica de Hamamatsu, e onde também estava sendo construída uma nova fábrica – a que viria a produzir o primeiro carro com o logotipo Honda. O local escolhido foi questionado por ser montanhoso, o que significaria um custo de construção mais elevado. Havia quem defendesse fazer a pista em local plano, em uma plantação de arroz, mas Soichiro foi taxativo – nada justificaria roubar espaço da produção de alimentos!

Um claro indício de que a pista de testes da Honda seria bem mais caprichada do que as pistas de teste de outros fabricantes de veículos de então, apenas alguns poucos quilômetros de retas e curvas de tipo variado, veio quando o nome do projetista foi divulgado, o holandês Johannes Hugenholtz, um apaixonado pela competição que é diretor da pista holandesa de Zandvoort, então um importante polo da competição sobre duas e quatro rodas na Europa.

O desenho de Suzuka espelhou a paixão de Hugenholtz – também projetista das pistas de Hockenheim na Alemanha, Zolder na Bélgica e Jarama na Espanha – e a de Soichiro Honda, desde sempre convicto admirador do motociclismo e automobilismo de competição, que via na nova pista não apenas o laboratório ideal para o desenvolvimento de produtos como ferramenta de popularização do esporte a motor.

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Com cerca de seis quilômetros de extensão Suzuka foi o primeiro circuito do Japão, país onde até então as competições eram realizadas em traçados provisórios. O formato de “oito”, com longas retas entremeadas por curvas variadas e a característica intersecção com túnel fascinou pilotos, também estimulados pela topografia, plena de sobes e desces desafiadores.

Em 3 de novembro de 1962 foi realizada a primeira corrida em Suzuka e, não satisfeita em ter um local ideal para testar veículos e incentivar o esporte, a Honda foi além, criando ali um parque de diversões, um hotel, um museu e, posteriormente, um parque aquático, além oferecer diversas estruturas destinadas ao treinamento de motociclistas, policiais e tudo o que diz respeito à mobilidade.

A notoriedade de Suzuka foi definitivamente confirmada com a realização de etapas do Mundial de Motovelocidade e da Fórmula 1, ambas a partir de 1987, o que deu início às mais incríveis disputas do esporte a motor na pista considerada como uma das mais desafiadoras do planeta.

Certamente a evolução dos produtos Honda, tanto de duas como de quatro rodas, não teria sido a mesma sem a existência de Suzuka. Foi pensando nisso mesmo, na necessária evolução, que 25 anos depois a Honda resolveu criar outra pista seguindo o mesmo conceito que norteou o surgimento de Suzuka: o Twin Ring Motegi, o mais moderno complexo dedicado ao esporte a motor e tudo que o cerca do mundo, assunto para a segunda parte do “AS PISTAS DA HONDA”. Não perca ...