Seja no asfalto, na terra, na lama ou na areia, um bom piloto deve estar preparado para enfrentar qualquer competição e corrida de moto. Esse universo radical está no DNA da Honda e realmente é para aqueles que são movidos pelo desafio. Acompanhe conteúdos especiais sobre os campeonatos nacionais e internacionais de motovelocidade e motocross como MotoGP, SuperBike e muito mais!
A motocicleta de Diogo Moreira no Mundial da MotoGP 2026 é a mais preciosa de todas as Honda da atualidade, tanto em valor como em tecnologia. O projeto da Honda RC213V, totalmente Made in Japan, é de autoria da Honda Racing Corporation, a subsidiária da Honda situada em Asaka, cidade a poucos quilômetros de Tóquio, e exclusivamente dedicada à construção e desenvolvimento de motos de competição, protótipos de MotoGP e tecnologias de alta performance para o motociclismo mundial.
É nesta “maternidade” de campeãs que o valioso quebra-cabeças feito de ligas de metais nobres, fibra de carbono, plástico, borracha e muita eletrônica é montado, com um único e claro objetivo: comprovar a tecnologia superior da marca, dando sequência ao legado do fundador Soichiro Honda, um apaixonado pela competição e convicto defensor de que o melhor laboratório para o desenvolvimento de produtos é a pista.
A Honda RC213V representa o máximo da engenharia japonesa aplicada à MotoGP, reunindo aerodinâmica avançada, eletrônica embarcada, motor V4 de alta rotação e soluções desenvolvidas diretamente nas pistas para transferência de tecnologia às motocicletas esportivas da Honda.
Por que RC213V?Antes de conhecer os detalhes da RC213V 2026 é necessário explicar sua sigla: “RC” é a designação histórica das motos de competição da Honda movidas por motores 4 tempos, desde 1958. Já o número “213” indica o século XXI, terceira versão de motos realizadas para a MotoGP no período. O “V” é alusão à arquitetura do motor, de quatro cilindros em V.
Nesta que é a PARTE 1 desta série, vamos abordar a “alma” da Honda RC213V, o conjunto motor-transmissão, considerado um dos mais sofisticados da MotoGP 2026. Vamos lá...
MOTOR – Honda RC213V MotoGPO regulamento atual impõe limite de 1.000 cm3, quatro cilindros no máximo e ciclo 4T. A Honda escolheu fazer um V4 a 90º, ou seja, um ângulo reto entre as duas bancadas de cilindros. Tal opção foi fundamentada por questões variadas como a aerodinâmica (um motor em V é mais estreito que um quatro em linha) e também para ter um virabrequim mais curto, com menos pontos de apoio, algo positivo em um motor de alta rotação.
O arrefecimento é por líquido, os cabeçotes têm quatro válvulas por cilindro e dois comandos (DOHC) acionados por engrenagens. Em vez de molas, o fechamento das válvulas usa um sistema pneumático, que permite alcançar rotações estimadas em 18.000/20.000 rpm.
A potência máxima da Honda RC213V supera os 260-280 cv, tornando a motocicleta uma das máquinas mais potentes e tecnológicas do grid da MotoGP. O sistema de alimentação PGM-FI conta com injetores duplos para cada cilindro e a ECU (Electronic Control Unit) é padronizada pelo regulamento, oferecendo possibilidade de ajuste de diversos parâmetros, como controle de tração, anti-wheelie, gerenciamento de potência, freio-motor e entrega de torque.
O escapamento 4x2 é realizado em titânio e dispõe de válvulas nas proximidades da ponteira que servem para aumentar o efeito freio-motor. O limite de ruído admitido pelo regulamento é de 130 decibéis.
Entre os destaques técnicos da Honda RC213V estão:
TRANSMISSÃO – Tecnologia Seamless HondaO regulamento da MotoGP determina câmbios de seis marchas. O da Honda RC213V é do tipo “Seamless”, tecnologia desenvolvida e patenteada pela Honda em 2013. Na prática, é um tipo de câmbio específico para uso em competições, que elimina o “buraco” entre o engate de marchas.
A potência (ou o freio-motor, nas reduções) é transmitida para a roda de modo contínuo, pois o sistema atua com a marcha superior (ou inferior) à que está sendo usada pré-engatada. As mudanças de marcha acontecem sem o costumeiro tranco, o que, em se tratando de um motor com mais de 260 cv, evita uma violenta resposta da transmissão que poderia causar desequilíbrio.
O padrão dos engates é 1ª para cima e as restantes cinco marchas pressionando o pedal para baixo. Para maior segurança o neutro (ponto-morto) exige acionar uma tecla no punho direito, evitando assim o risco de perda de tração ou freio-motor.
Na Honda RC213V a alavanca de embreagem é usada apenas na largada e a embreagem é do tipo deslizante, acionada por cabo, mas com um sistema pelo qual servo-motores elétricos atuam para ajustar o acoplamento de acordo com a marcha engatada.
A transmissão final é por corrente da marca japonesa D.I.D., modelo 520ERV7.Destaques da transmissão da Honda RC213V
Quer saber mais? Na PARTE 2 desta série abordaremos itens como chassi, carenagem, suspensões, freios, pneus, aerodinâmica e tecnologias da Honda RC213V utilizadas na MotoGP. Não perca!
HONDA RC213V – FICHA TÉCNICA