Seja no asfalto, na terra, na lama ou na areia, um bom piloto deve estar preparado para enfrentar qualquer competição e corrida de moto. Esse universo radical está no DNA da Honda e realmente é para aqueles que são movidos pelo desafio. Acompanhe conteúdos especiais sobre os campeonatos nacionais e internacionais de motovelocidade e motocross como MotoGP, SuperBike e muito mais!
Na Parte 1 desta série tratamos da “alma” da Honda RC213V, o conjunto motor-transmissão. Agora chega a hora de falar do esqueleto e demais membros desta verdadeira obra de arte sobre rodas, considerada uma das motocicletas mais tecnológicas e avançadas da MotoGP 2026. Vamos lá...
CHASSI – Estrutura e engenharia da Honda RC213V
A arquitetura escolhida é clássica, a dupla trave de alumínio, semelhante à usada na Honda CBR1000RR-R Fireblade. No entanto, em se tratando de um protótipo de MotoGP, a Honda RC213V não só exige uma estrutura mais reforçada em função da maior potência do motor como permite diversas regulagens, fundamentais para extrair o máximo desempenho em diferentes circuitos do campeonato mundial.
Entre os ajustes possíveis estão a alteração do posicionamento do motor de acordo com cada pista e/ou preferências do piloto, além de modificações na coluna de direção, que possui um sistema capaz de variar o ângulo de cáster (inclinação da suspensão dianteira em relação ao solo). A balança de suspensão traseira também pode ter seu ponto de fixação ao chassi alterado tanto em altura como longitudinalmente.
O tanque de combustível tem capacidade máxima de 22 litros, determinada pelo regulamento da MotoGP, e está posicionado atrás do motor, sob o assento, exatamente no baricentro da motocicleta, solução que diminui a variação do equilíbrio conforme o reservatório se esvazia.
A gasolina usada deve ter 40% de componentes não fósseis, reforçando o compromisso da MotoGP e da Honda com tecnologias mais sustentáveis no automobilismo e motociclismo de competição.
Curiosidade: no tanque da RC213V é colocada uma espuma específica para evitar a movimentação do líquido no interior do compartimento e assim conter a formação de bolhas de ar.
Destaques do chassi da Honda RC213V
• chassi dupla trave de alumínio; • protótipo MotoGP Honda; • centro de gravidade otimizado; • regulagens avançadas de geometria; • engenharia de competição HRC; • estrutura de alta rigidez; • motocicleta de alta performance; • tecnologia de pista aplicada à MotoGP.
CARENAGEM – Aerodinâmica avançada MotoGP
A aerodinâmica é um dos grandes destaques das motos atuais da MotoGP. Na Honda RC213V a carenagem é realizada em fibra de carbono, material ultraleve e extremamente resistente, amplamente utilizado em motocicletas de competição.
A área frontal é dominada por aletas laterais tipo biplano, destinadas a elevar a pressão aerodinâmica e conter a tendência ao wheeling em aceleração. Na traseira e rabeta, outras aletas visam melhorar a estabilidade em frenagem.
O formato das laterais da carenagem auxilia a estabilidade em curva, criando um fluxo de ar que aumenta o downforce, efeito que “suga” a moto contra o asfalto e possibilita maior velocidade nas curvas.
A área destinada ao tanque nas motocicletas convencionais é ocupada por sistemas eletrônicos e pelo airbox, compartimento que recebe o fluxo proveniente da tomada de ar frontal e o direciona ao sistema de alimentação do motor V4.
A aerodinâmica da Honda RC213V foi desenvolvida no centro técnico da Honda Racing Corporation em Sakura, utilizando túnel de vento em escala 100%, localizado nas proximidades do centro de pesquisa de Tochigi, cerca de 100 km ao norte de Tóquio.
Tecnologias aerodinâmicas da Honda RC213V• carenagem em fibra de carbono; • aerodinâmica MotoGP; • downforce em motocicletas; • asas aerodinâmicas MotoGP; • controle de wheeling; • estabilidade em alta velocidade; • airbox de competição; • desenvolvimento em túnel de vento.
SUSPENSÕES – Controle e estabilidade
A suspensão dianteira da Honda RC213V é uma Öhlins TSB46 invertida, que se caracteriza pelos tubos inferiores com tratamento anti-atrito dourado, enquanto os tubos superiores são de fibra de carbono.
Na traseira, a balança de fibra de carbono conta com um amortecedor Öhlins RVP50BDB vinculado ao sistema Pro-link.
Ambas as suspensões possuem amplas possibilidades de regulagem, sendo proibido pelo regulamento o controle eletrônico das suspensões.
Tanto a suspensão dianteira quanto a traseira contam com um dispositivo mecânico acionado por alavancas próximas aos semi-guidões, responsável por reduzir a altura da motocicleta nas largadas. O sistema traseiro também é utilizado em saídas de curva para melhorar a capacidade de aceleração e tração.
Destaques das suspensões da Honda RC213V
• suspensão Öhlins MotoGP; • suspensão invertida de competição; • sistema Pro-link Honda; • controle de estabilidade; • dispositivo de largada MotoGP; • ajuste de suspensão de corrida; • fibra de carbono em componentes estruturais; • tecnologia de aceleração e tração.
FREIOS E PNEUS – Performance extrema na MotoGP
Os discos de freio dianteiros da Honda RC213V são realizados em fibra de carbono, cuja principal vantagem sobre os discos de aço é o menor peso, cerca de 1 kg mais leves.
A espessura dos discos é de 8 mm, enquanto o diâmetro pode variar entre Ø320 mm e Ø355 mm, dependendo das características de cada pista do calendário da MotoGP.
Uma característica dos freios de carbono é a elevada temperatura de funcionamento: o pico extremo pode alcançar entre 600 ºC e 1.000 ºC, sendo que a eficiência máxima de frenagem começa a partir dos 200 ºC.
O disco de freio traseiro é de aço, com Ø218 mm. As pinças dianteiras possuem quatro pistões de titânio e corpo em alumínio usinado em peça única, com fixação radial. A pinça traseira, também de alumínio, conta com dois pistões.
O acionamento do freio traseiro é feito por pedal e também por alavanca acionada pelo polegar da mão esquerda. Todo o sistema de freio é fabricado pela italiana Brembo.
Quanto aos pneus, o fornecedor oficial da MotoGP é a francesa Michelin. As medidas são padrão: dianteiro 120/60-17 e traseiro 200/69-17.São três os tipos de compostos de borracha disponíveis:• Hard; • Medium; • Soft. Também existem dois tipos de pneus:• Slick para pista seca; • Rain para pista molhada.
Dependendo da pista, os pneus podem utilizar mais de um tipo de composto na mesma banda de rodagem.
As rodas são produzidas pela italiana OZ Racing em liga de magnésio, sendo aproximadamente 35% mais leves que rodas convencionais de alumínio.
Destaques dos freios e pneus da Honda RC213V
• freios Brembo MotoGP; • discos de carbono; • pneus Michelin MotoGP; • rodas OZ Racing; • pneus slick e rain; • alta performance em frenagens; • componentes ultraleves; • tecnologia de corrida aplicada à MotoGP.
Quer saber ainda mais? Na PARTE 3 desta série vamos falar da sofisticada eletrônica da Honda RC213V e dos comandos que Diogo Moreira precisa acionar durante a pilotagem da mais rápida motocicleta do planeta.
HONDA RC213V – FICHA TÉCNICA
• Comprimento – 2.052 mm • Largura – 645 mm • Altura – 1.110 mm • Entreeixos – 1.435 mm • Altura mínima do solo – 115 mm • Peso a seco – 157 kg • Capacidade do tanque – 22 litros • Motor – 1.000 cm3, V4 a 90º, DOHC 4 válvulas, 4 tempos, arrefecido a líquido • Potência – + de 260 cv • Chassi – Trave dupla de alumínio • Suspensão dianteira – Öhlins TSB46 - Ø46mm • Suspensão traseira – Pro-link/Öhlins RVP50BDB • Rodas – OZ Racing 4”x17 (dianteira), 6,25”x17 (traseira) • Pneus – Michelin 120/60-17 (dianteiro), 200/69-17 (traseiro) • Freio dianteiro – discos de carbono e pinças Brembo Monobloc GP4 4 pistões • Freio traseiro – disco de aço e pinça Brembo Monobloc 2 pistões