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Motocross - A reinvenção da Honda

O poder dos sonhos

As tradições, histórias e curiosidades da marca que mais entende de moto.

Motocross - A reinvenção da Honda

O poder dos sonhos 16/07/2019

No finalzinho de 1967 a Honda havia alcançado importantes objetivos, tanto comerciais como esportivos. Vendia mais motos do que qualquer outra marca no planeta e, no mundial de motovelocidade, a principal competição do motociclismo, ganhara tudo o que havia para ser ganho.

Neste invejável momento Soichiro Honda, o fundador da empresa, decidiu que era hora de “dar um tempo” das pistas, alegando a necessidade de concentrar a energia em novos produtos – leia-se produzir motos de alta cilindrada.

A experiência técnica acumulada nas corridas do mundial não demorou a se materializar, e menos de um ano após dar adeus às pistas – na verdade um até breve – foi lançada a lendária Honda CB 750 Four, cuja história você pode ler clicando aqui.

Porém, dentro da empresa, um grupo de jovens engenheiros olhava para uma direção diferente: em vez de corridas no asfalto ou estradeiras de alto desempenho, pensavam dia e noite motocross: a categoria do esporte a motor que mais crescia em popularidade, especialmente nos Estados Unidos da América, o maior mercado da face da terra.

Na linha Honda da época havia uma pequena trail, a SL 125, e foi ela que serviu de cobaia para os primeiros estudos de uma motocross by Honda. Porém, logo o time de engenheiros percebeu que seria impossível obter competitividade com uma moto equipada com motor ciclo 4 tempos, que na comparação direta com um motor 2 tempos de capacidade cúbica equivalente, perdia em potência e peso.

Havia algo pior que isso? Sim, havia: a ojeriza de Soichiro Honda, que muito antes declarara que a Honda jamais produziria uma motocicleta com motor 2 tempos.  Nesse momento de impasse, alguém do grupo de engenheiros lembrou que maior que o desprezo do patrão pelos motores 2 tempos era sua paixão pela competição, e que perder para algum concorrente – seja nas corridas ou nas vendas – era algo inadmissível para ele.

Não se sabe quem foi aquele que criou coragem e consultou o Sr. Honda, mas sabe-se qual foi a resposta, algo como “OK, se vocês insistem em fazer um motor 2 tempos, podem fazer. Mas é melhor que esta moto seja a melhor 2 tempos do planeta, superior a qualquer outra concorrente. ”

Sinal verde dado, e sob intensa pressão, o grupo de engenheiros deu sequência ao trabalho e, no arco de poucos meses, duas novas motocicletas nasceram. Primeiro uma 250 e, na sequência, uma 125cc. Ambas dotadas de inéditos motores monocilíndricos 2 tempos com a marca Honda estampada, mas, sobretudo a 125, se destacava pelo baixíssimo peso (cerca de 65 kg!). Certos que um dos segredos para vencer no motocross era conter ao máximo o ponteiro da balança, a equipe não economizou em soluções técnicas inovadoras e, claro, em materiais nobres.

Tal capricho fez a Honda RC 250M vencer uma etapa do campeonato japonês de motocross apenas oito meses depois de Soichiro (que estava na tribuna de honra junto a um membro da família imperial...) dar seu OK para a largada do projeto. E quanto à levíssima RC 125M, estreou com um 4º lugar, mas pouca corrida depois já era tida como a melhor motocross entre todas, superando motos que dominavam a cena há anos.

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Qual foi o passo seguinte? Fazer o sucesso nas pistas de terra virar sucesso de vendas, e assim surgiram as CR 125 e CR 250 Elsinore, máquinas de motocross de normal venda ao público, que invadiram o ávido mercado norte-americano de maneira avassaladora à partir de 1974.

Milhares de CR 125 e 250 Elsinore foram vendidas, transformando o motocross em uma verdadeira febre. Inteligentemente, a Honda entrou no mercado dos EUA ofertando suas motocross a preços abaixo dos praticados pela concorrência, sendo que em termos técnicos ocorria o exato oposto: as Honda eram mais rápidas, resistentes e... leves! Ou seja, mais baratas e melhores.

Outro fator que atualmente é considerado uma “sacada” de marketing foi o nome aplicado, “Elsinore”, que remetia à uma popular competição off-road dos EUA, então realizada anualmente no entorno do Lago Elsinore, na Califórnia. Tal competição foi imortalizada pelo documentário considerado o grande divulgador da prática do fora de estrada nos EUA e no mundo, o clássico “On Any Sunday” de 1971, que teve como participante o ator Steve McQueen. “The King of Cool” no auge do sucesso.

Naquele festival de Woodstock da motocicleta que se transformava a pacata paisagem de Elsinore, a Honda capturou milhares de clientes fascinados não apenas pelas suas afiadas CR 125 e 250, mas também pelas pequenas Monkeys, ST 50, CT90 e outras tantas pequenas Honda, divertidas de se usar quando o asfalto acaba, mas essa é uma outra história de sucesso para contar mais adiante...