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A conquista da América - parte 1: a chegada da Honda nos EUA

O poder dos sonhos

As tradições, histórias e curiosidades da marca que mais entende de moto.

A conquista da América - parte 1: a chegada da Honda nos EUA

O poder dos sonhos 14/06/2021 Próximo post
A conquista da América
Parte 1

Em 11 de junho de 1959 a Honda desembarcou oficialmente nos Estados Unidos da América do Norte, inaugurando sua primeira subsidiária fora do Japão. A escolha do local recaiu sobre a cidade de Los Angeles, na ensolarada Califórnia.

Clima favorável, população gigante e, sobretudo, ser a região com a maior colônia japonesa nos EUA, determinaram a opção. Além disso, o espírito da população californiana era mais liberal em comparação ao restante do país, algo importante se lembrarmos que, à época, ecos da 2ª Grande Guerra, quando japonese e norte-americanos foram inimigos, ainda eram ouvidos.

A Honda então era uma empresa jovem, com pouco mais de uma década de existência, mas já relevante no Japão. Porém, entrar no maior mercado consumidor do planeta era crucial para sua expansão, e assim realizar o sonho de Soichiro Honda, de provar ao mundo que suas motos estavam um degrau acima do restante da produção mundial.

Takeo Fujisawa, braço direito de Soichiro, homem que organizou administrativamente e comercialmente a Honda desde os primórdios, refletiu sobre duas opções: entrar no mercado através de um representante ou fundar uma subsidiária nos EUA. Chegou à conclusão que motos demandam um pós-venda impecável, e isso só seria possível estando presentes em 1ª pessoa. Era uma cartada dispendiosa, mas definitiva, pois se as coisas dessem certo por lá, dariam certo no restante do planeta.

E com apenas oito funcionários, a AHM – American Honda Motor Co., Inc., começou suas atividades em um modesto endereço em Los Angeles. A linha de modelos inicialmente oferecidos eram as bicilíndricas Dream de 250 e 305cc e as Benly 150cc e, claro algumas Super Cub – lá batizadas de moto Honda 50 – eram os produtos.  A meta de vendas estabelecida foi de 1.000 motos/mês, mas ao final de 1959 haviam sido vendidas apenas 170 motos.

Os anos 1960 começaram, e antes de fechar o 1ª ano de atividade as vendas começaram a melhorar, mas ainda longe das mil motos pretendidas. Então aconteceu o que não podia – ou deveria – acontecer: algumas Dream começaram a dar problemas. Pouco mais de cem unidades apresentaram desgaste/quebras anormais, e aí a reação da Honda ante este problema pode ser considerado uma espécie de “pulo do gato” para a conquista do mercado norte-americano.

Rapidamente, a Honda mandou recolher as motos defeituosas e bloqueou a chegada dos modelos que não estivessem em conformidade. Os concessionários se surpreenderam com a rápida ação da Honda, considerando-a impecável, respeitosa ante eles próprios e seus consumidores. Acostumados a vender motos que vazavam óleo mesmo zero km, os revendedores e clientes naquele momento começaram a compreender a seriedade técnica da Honda e sua obsessão pela excelência tecnológica.

Enquanto as bicilíndricas Dream passavam por investigação para sanar o problema que as fazia quebrar nas mãos dos clientes ianques, restou vender a pequena Super Cub, a exótica (para os norte-americanos) Honda 50. Pequena, fácil de pilotar, sua performance era excelente. Adequada para homens e mulheres, era diferente de tudo o que existia no mercado.

Custando 250 dólares, a Super Cub/Honda 50 começou a vender razoavelmente, e um ano e meio depois da entrada oficial no mercado norte-americano as vendas da Honda finalmente superaram o patamar das 1.000 motos/mês, puxadas pela pequena cinquentinha. Isto provocou uma alteração na estratégia da Honda nos EUA, que decidiu investir na menorzinha delas, a Super Cub, e a partir dela ganhar mercado. Uma forte campanha publicitária foi contratada para divulgar ainda mais a Honda 50, e esta campanha, certamente, foi o 2º “pulo do gato” da American Honda, uma história saborosa que você lerá no próximo capítulo...